Em entrevista ao “El Pais”, Carlos Sainz veio a público emitir a sua opinião relativamente ao “pós-Dakar” acabando, inevitavelmente por se debruçar pela modalidade onde foi mais feliz, o Mundial de Ralis, mostrando o seu descontentamento perante o actual estado de coisas. Na verdade, não há muitos ex-pilotos que possam falar com tanta propriedade sobre este assunto como Carlos Sainz, e o piloto madrileno, bicampeão do mundo de ralis, em 1990 e 1992, é de opinião que o Mundial de Ralis perdeu muito do seu interesse «e não só porque a F1 ganhou muito terreno». Numa entrevista que concedeu ao Elpais, o espanhol falou, entre outros, do novo Dakar e da hegemonia de Loeb no WRC.
Para o espanhol, a FIA errou quando tentou traçar um caminho nos ralis, semelhante ao que já era feito com a F1: «Penso que a FIA preferiu a quantidade à qualidade e agora o Mundial de Ralis é muito insípido. Outro dos problemas passa pela pouca variedade de pilotos a lutar pelas vitórias, pois com a saída de Marcus Gronholm, tudo ficou mais fácil para o Sébastien Loeb, embora não se possa de lhe deixar de dar muito mérito. É um dos maiores campeões da história. Mas é pouco, pois no meu tempo chegaram a haver sete pilotos a lutar pela vitória, com quatro ou cinco marcas diferentes. Hoje nada disso existe. Penso que o ponto de viragem sucedeu quando a FIA pretendeu querer assemelhar o WRC à F1. quantidade em vez de qualidade! Os ralis do mundial eram eventos que, nalguns casos quase paralisavam um país, e passaram a ser uma corrida com quarenta carros, com muito pouca identidade própria.»
Dakar
Series é interessante
Depois de ver
assegurada a sua participação no Dakar Series, com a
primeira prova a realizar-se na Roménia e Hungría,
Sainz diz que se sente confortável com essa
competição e espera realizar também o Rali
Argentina-Chile, que a Volswagen ainda não confirmou:
«Não sabia o que iria fazer a minha equipa depois do
sucedido com o Dakar, e estou contente por estarem a surgir
confirmações da participação de grandes
marcas nos rali raids. Agora espero que possa ir à
América do sul pois já corri muitas vezes na
Argentina e tanto lá como no Chile sabem como acolher uma
corrida como esta.», referiu. Relativamente ao seu futuro, o
espanhol quer ficar ligado ao desporto, mas exclui um cargo numa
federação. Nem mesmo no Real Madrid, se bem que aqui
o coração fala mais alto: «Ao Real Madrid nunca
se digas nunca».
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