Integrado pelo segundo ano consecutivo na fortíssima
armada “azul”, Carlos Sousa explica que, relativamente
ao último Dakar, está agora «bem mais entrosado
e familiarizado com a equipa», se bem que a grande
diferença para o passado esteja na preparação
que realizou no defeso.
«Poderá parecer surpreendente para muitas pessoas,
mas a verdade é que, desde 1999, nunca tive oportunidade de
realizar tantos quilómetros de testes com uma equipa e ter
à disposição o mesmo material dos pilotos da
frente. Este ano, além da participação no Rali
de Marrocos, fui convidado pela Volkswagen a participar em duas
sessões de testes na Tunísia, em conjunto com os
restantes pilotos oficiais. Nunca antes tive estas
oportunidades».
No passado, constata ainda, «estive sempre em equipas
onde nunca era convidado para testar, levando sempre no carro
soluções do ano anterior. Essa é que grande a
diferença e a minha grande vitória no presente.
É evidente que nem sempre pude dizer todas estas coisas
anteriormente, por respeito à marca. Mas agora os discursos
não são censurados e hoje apenas reporto a uma
organização, que é a Lagos Team. A
única mágoa que retenho é constatar que foram
precisos 12 anos para que me fossem proporcionadas estas
condições. É tarde para quem já anda
nas corridas há quase 20 anos», lamenta.
Que
estatuto?
De qualquer modo, Carlos Sousa continua hoje a ter um estatuto
algo diferente ao do restante quarteto oficial da Volkswagem
Motorsport, o que se por um lado lhe permite manter os seus
patrocinadores de longa data, por outro, coloca-o numa
posição difícil de analisar pelo
público: «Admito que é um pouco difícil
explicar o meu estatuto, pois estou na Volkswagen, mas integrado no
Lagos Team. Ou seja, não sou nem oficial, nem
privado.»
«Em todo o caso, terei material igual ao dos outros
pilotos, sendo que pela primeira vez me foi confiada toda a
tecnologia de ponta disponível, no que representa um grande
voto de confiança da equipa em mim. Mas esta é
também a prova que a Volkswagen precisa de todos os seus
pilotos para vencer. Por exemplo, se o Sainz ou o De Villiers
tiverem um problema, é preciso que haja um Carlos Sousa logo
ali para os substituir. De resto, a outra grande diferença
em relação ao último ano é que o nosso
carro vai deixar de ser assistido pela Phoenix. No fundo, deixam de
haver duas equipas na mesma equipa».
Comentários